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Quase centenário, Museu Mariano Procópio de Juiz de Fora celebra 'permanente vitalidade'

De olho em todos os públicos, aos 97 anos, instituição investe em eventos, redes sociais e vínculos com pesquisadores. Diretor-superintende...


De olho em todos os públicos, aos 97 anos, instituição investe em eventos, redes sociais e vínculos com pesquisadores. Diretor-superintendente analisou projetos em entrevista ao G1. Museu Mariano Procópio completou 97 anos no dia 23 de junho investindo em eventos e divulgação de curiosidades para convidar todos os públicos Museu Mariano Procópio/Divulgação Aos 97 anos recém-completados, o Museu Mariano Procópio mantém vivo o desejo do fundador Alfredo Ferreira Lage: disponibilizar seu acervo de cerca de 55 mil itens preservados na Villa e no prédio anexo para o povo de Juiz de Fora. No ano passado, foram 250 mil pessoas no parque e 735 solicitações para a realização de ensaios. Enquanto isso, atendeu pesquisadores e optou por divulgar iniciativas explorando curiosidades e bom humor nas redes sociais. A partir deste junho, Dom Pedro II será o personagem que irá conduzir as publicações sobre o acervo nos perfis oficiais da instituição. A instituição ficou fechada para o público entre janeiro e maio, depois que foi confirmada a morte de um macaco por febre amarela deste ano. A recomendação é que as pessoas estejam vacinadas contra a doença para visitar a instituição. Com cerca de um mês e meio de portas abertas, a comunidade já retomou o uso do local para ensaios fotográficos, lazer, visitas guiadas, nos 72.800 metros quadrados de área, incluindo imóveis, parque e bosque. "O importante é estar em permanente vitalidade, muito vivo, através da exposição na Galeria Maria Amália e das atividades esportivas, pedagógicas e de lazer. Democrático, aberto a todas as classes sociais e a todas as idades. Desde a barriga das mães, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, o Museu se faz presente na vida do cidadão de Juiz de Fora", disse o diretor-superintendente, Antônio Carlos Duarte. A visitação à Galeria “Maria Amália”, no interior do prédio do Museu, funciona de terça a sexta-feira, de 10h às 17h. O parque é acessado de terça a domingo, de 8h às 18h. Os integrantes do Clube da Caminhada, que têm carteirinha, podem entrar a partir das 6h. Dom Pedro II foi o personagem escolhido para apresentar o Museu Mariano Procópio nas redes sociais Museu Mariano Procópio/Divulgação Porta-voz nas redes sociais: Dom Pedro II O Museu está investindo na divulgação de eventos e de curiosidades nas redes sociais, com foco no Instagram e no Facebook. Logo após a reabertura em maio, foi realizado o concurso “Minha Foto no Museu” para incentivar a visitação ao espaço público cultural, divulgar a instituição, acervo e atividades nas redes sociais. "É importante chegar ao público de todas as maneiras possíveis. Hoje com as redes sociais nós temos como levar informação a um grande número de pessoas. Percebemos que o público é variado, não falamos apenas com os jovens", comentou Antônio Carlos Duarte. Aproveitando o vínculo da família imperial com o espaço, a novidade anunciada nesta semana é que Dom Pedro II será o "porta-voz" nas redes sociais para destacar curiosidades e esclarecer dúvidas em série de postagens sobre o Museu “Mariano Procópio”. “Através da nossa comunicação e demais departamentos envolvidos vamos seguir com algumas informações e curiosidades sobre o Museu, através da figura de Dom Pedro II que tanto gera interesse ao público", disse o diretor-superintendente. Quando o lugar ainda estava fechado, em abril, postagens usaram o funk "Que tiro foi esse?" para divulgar o "Retrato de Dom Pedro II" que tem uma marca de disparo feito no dia da Proclamação da República. Confira a entrevista do G1 com a pesquisadora Julliana Garcia Neves sobre a importância do registro do vandalismo contra a obra que está em Juiz de Fora. "Relacionar o Museu com coisas do cotidiano, como o quadro de Dom Pedro II e a música chamou a atenção não apenas para o humor, mas para um fato histórico e isso é muito bacana", analisou. Também antenado no que está acontecendo, o Museu está enfeitado de verde e amarelo em clima de Copa do Mundo. Junto com a iniciativa, foi divulgado que a instituição recebeu durante três dias a Taça Jules Rimet, conquistada de forma definitiva pelo Brasil em 1970. Fachada do prédio Mariano Procópio está decorada nas cores do Brasil por causa da Copa do Mundo Museu Mariano Procópio/Divulgação Fontes de pesquisas acadêmicas Um acervo diversificado permite diferentes abordagens. Desde artigos que mencionam pesquisas relativas do Museu em uma publicação que faz um copilado de diversas pesquisas acadêmicas, até minicursos especiais, como o realizado em 2017, apenas sobre as fotografias Oitocentistas. Neste mês, a instituição recebeu o historiador italiano Giovanni Levi, que destacou a importância de ensinar aos visitantes, especialmente as crianças, a preservação do patrimônio com a natureza. Historiador Giovanni Levi vistou o Museu Mariano Procópio em junho deste ano Museu Mariano Procópio/Divulgação Um projeto de extensão do curso de Turismo já rendeu o documentário "Vozes da Memória", que com depoimentos de pessoas que vivenciaram histórias ou possuem lembranças relacionadas à instituição. A busca de soluções para tornar a água do lago mais límpida e transparente foi tema de uma tese de doutorado da bióloga Marcela Miranda, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Os itens doados pela Viscondessa de Cavalcanti também motivaram a pesquisa sobre a coleção de pinturas em miniaturas, que se tornou livro escrito pela historiadora Angelita Ferrari. Também renderam destaque à instituição na passagem da tocha olímpica por Juiz de Fora em 2016, por causa da assinatura do Barão Pierre de Coubertin, criador das Olimpíadas modernas no leque que pertenceu à Viscondessa. "Jornaleiro" e "Primeira Separação" são obras de Maria Pardos em exposição atualmente no Museu Mariano Procópio Museu Mariano Procópio/Divulgação Quem for visitar a Galeria Maria Amália vai encontrar duas telas de Maria Pardos - “Jornaleiro” e “ Primeira Separação” - na primeira sala do prédio Museu “Mariano Procópio. A artista foi companheira de Alfredo Ferreira Lage e é considerada co-fundadora do Museu. Em março, as 28 telas foram tema de um seminário neste ano. E está previsto outro, em julho, com ciclo de palestras e outras atividades voltadas sobre restauro das pinturas - o restaurador Raul Carvalho falou ao G1 em 2015 sobre a importância de preservar as obras - , acervo do Museu e a vida da artista. "Estamos em plena efervescência na forma de utilizar todo o complexo do museu e o acervo. Recebemos pesquisadores de gradução e de pós-graduação. Temos trabalhos em andamento e permanentes. É uma prova da contribuição do Mariano Procópio para a cidade e para a região. Será que, sem ele, Juiz de Fora teria o mesmo peso, seria a mesma?", questionou. Evento "Caminhada pela Vida" reuniu participantes no parque do Museu Mariano Procópio Museu Mariano Procópio/Divulgação 'Coração verde e de graça da cidade' Nesta manhã de sábado (30), crianças participaram do programa “Encontros no Jardim”, que oferece exibição de filmes, brincadeiras e oficinas sobre o tema meio ambiente. "Desde a reabertura em maio, todo o parque pode ser visitado de segunda a sexta. É um espaço de contemplação da natureza em diferentes aspectos, caminhada, convivência, lazer a poucos minutos da área central, o coração verde e de graça da cidade", disse Antônio Carlos Duarte. Patrimônio tombado, todo o complexo passa por restauração, desde os jardins e o parque, que está em fase de reorganização da segurança, até os prédios. Os visitantes ainda não têm acesso à Villa, mas podem visitar a Galeria Maria Amália no prédio Anexo Mariano Procópio. "Queremos registrar o vínculo do museu com o cidadão e com a cidade, que foi formalizado juricamente pelo mecenas Alfredo Ferreira lage que doou para o município esta instituição de dimensão nacional e até internacional, que pertence e é mantido pela comunidade de Juiz de Fora", comentou o diretor-superintendente. Alunos da Escola Municipal Rocha Pombo conheceram a história de "Retrato de Dom Pedro II", quadro que foi alvo de vandalismo na Proclamação da República Museu Mariano Procópio/Divulgação Para os grupos escolares e de demais instituições, a visita guiada pode ser agendada pelo telefone (32) 3690-2027 ou pelo e-mail maprocultural@pjf.mg.gov.br. Para os ensaios fotográficos, a solicitação para os trabalhos realizados na área do Jardim continua sendo retirada e entregue na guarita da Rua Mariano Procópio. Já as atividades nas demais áreas devem ser agendadas com o Departamento de Difusão Cultural (DDC) pelo telefone 3690-2027. Os interessados serão orientados quanto às regras de utilização do espaço, e, além disso, devem preencher o documento de solicitação de concessão e autorização para fotografia que está disponível na guarita do acesso da Rua Dom Pedro II. As fotos podem ser feitas na área externa dos prédios históricos de terça a sexta-feira, das 10h às 17h. Casais realizam ensaio fotográfico no Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora História A Villa foi construída em 1861. Era a chácara da família de Mariano Procópio e hospedou o imperador Dom Pedro II e a comitiva em visitas à região. Casado com Maria Amália, Mariano Procópio teve três filhos, Alfredo, Elisa e Frederico. Alfredo Ferreira Lage tinha o gosto pelo colecionismo desde cedo. Em 1915 já recebia visitantes na Villa, que era conhecido como “Museu Ferreira Lage”. A Villa do Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora é a casa-museu mais antiga do Brasil Roberta Oliveira/G1 A inauguração oficial foi em 23 de junho de 1921, data escolhida para homenagear o centenário de nascimento do pai, Mariano Procópio Ferreira Lage. Preocupado com o acesso e a preservação do acesso, levou à construção do prédio anexo e da galeria de belas-artes, inaugurada em 13 de maio de 1922. O primeiro imóvel construído no país com esta finalidade, teve planejamento de arte, onde se destacam o lanternim e a claraboia, de Rodolpho Bernardelli. "É um dos primeiros e mais antigos museus do Brasil, sendo inicitiva de um cidadão, um mecenas que doa todo este conjunto de patrimônio e um acervo estimado em 55 mil itens. E mesmo antes de formalizar a transferência do Museu para a cidade em 1936, ele já recebia visitantes em casa, uma forma de democratizar o que era dele, um gesto pioneiro", comentou Duarte. Para o fiel cumprimento da doação, criou o Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio, que vem atuando como guardião da instituição. Em julho de 2008, as obras do Museu foram paralisadas pela Controladoria Geral da União (CGU), que receberia recursos federais. A justificativa foi a suspeita de irregularidades levantada pela Operação "João de Barro", da Polícia Federal. O restauro foi iniciado em 2014, com obras estruturais na Villa, que era considerada prioritária. Trilhas do parque do Museu Mariano Procópio foram revitalizadas antes da reabertura em maio Roberta Oliveira/G1 Algumas das peças doadas pela Viscondessa de Cavalcanti estão na exposição "Esplendor das Formas" na Galeria Maria Amália Roberta Oliveira/G1 Parque do Museu Mariano Procópio foi reaberto para visitantes em Juiz de Fora em maio após quatro meses fechado Roberta Oliveira/G1

Fonte G1 > Brasil
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